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PROJETO ANUÁRIO DE AGRO-NEGÓCIO - APRESENTAÇÃO

 
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Apresentação

Uma era de muitas oportunidades e grandes desafios
Por os editores

Os professores Carvalho e Ariovaldo da FIPECAFI

EXAME A dinâmica da economia mundial não poderia manter-se estável após a emergência de gigantes como China e Índia. E num planeta com 6,7 bilhões de pessoas — e em crescimento — era de se supor (embora poucos tenham percebido lá atrás) que tudo o que gera energia para movimentar essa massa humana ganharia valor. É nesse mundo de quase insaciável demanda que o agronegócio brasileiro ganha enorme relevância. Após décadas de trabalho, pesquisa tecnológica e investimentos quase silenciosos, o Brasil surge no cenário internacional como a grande fronteira para a produção de alimentos e energiaç. É nesse cenário, também, que o lado mais produtivo do campo brasileiro pôde despontar. Em 2008, os produtores rurais devem colher a maior safra de grãos da história — 142 milhões de toneladas, volume quase 8% superior ao atingido no ano passado. Ao incorporar gestão e os mecanismos mais modernos do mercado de capitais, as empresas brasileiras também atingiram a liderança mundial na produção de carne e de frango, passaram a produzir o etanol mais competitivo e economicamente viável do planeta e avançam em outras formas de bioenergia. Alimentos e energia. O mundo precisa — desesperadamente — deles. O Brasil tem hoje para entregar.

Ao ganhar estatura como provedor de alimentos e energia, o país passa também a ser alvo prioritário de um jogo de interesses global. E é aí que surgem desafios e obstáculos que não podem ser desprezados ou ignorados. Gostem ou não, concordem ou não com as razões subjacentes e com os argumentos dos críticos, os empresários brasileiros do agronegócio terão de achar alternativas para conciliar altos volumes de produção e custos competitivos com os novos conceitos de sustentabilidade que estão moldando os mercados e os consumidores de todo o mundo. Ao se tornarem grandes, os empresários brasileiros do campo se transformam em vidraça para concorrentes, ambientalistas, políticos. Trata-se de um processo inexorável, cujo desfecho — positivo ou negativo — dependerá da atitude que empresários e governantes terão diante dele. É possível ser um produtor eficiente de alimentos e energia sem aniquilar recursos naturais? É possível ter custos competitivos ao mesmo tempo em que se respeitam direitos individuais e trabalhistas? É possível fazer com que a tecnologia seja usada para uma produção mais racional? Experiências — ainda que esparsas em todo o mundo — mostram que sim. Segui-las pode determinar a vitória do agronegócio brasileiro na disputa de fatos e percepções que já se desenha.

Ao reunir um conjunto de cerca de 15 000 dados, o Anuário EXAME de Agronegócio pretende dar sua contribuição para ajudar nas análises e decisões de produtores e empresários neste momento tão promissor e desafiador. A exemplo das edições anteriores, um dos destaques das próximas páginas é o ranking com as maiores empresas brasileiras do agronegócio, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi/USP). A esse ranking somaram-se agora outros serviços igualmente valiosos, como os mapas com as manchas das principais culturas nacionais e rotas de exportação da produção brasileira. Pela primeira vez, também, publicamos um raio X completo do perfil agropecuário dos 27 estados brasileiros. Ao final da edição, ainda é possível conferir uma relação com mais de 200 endereços do setor, além de um calendário completo com os eventos mais relevantes do agronegócio brasileiro para o período 2008/2009.

A produção desta nova edição do Anuário EXAME de Agronegócio contou com a coordenação do redator-chefe André Lahóz e do editor executivo Sérgio Ruiz Luz. Ao longo de três meses, uma equipe de 17 jornalistas chefiada pelo editor Ernesto Yoshida se encarregou do trabalho de apuração dos principais dados econômicos do setor e da produção de uma série de reportagens especiais. Entre os destaques, há um perfil das “Ferraris do campo”, como foram apelidadas as supermáquinas agrícolas. A equipe de reportagem também foi conferir de perto fenômenos como a cidade de Campo Verde, no interior de Mato Grosso, a atual campeã brasileira no ranking de PIB agropecuário, e o interessante trabalho de recuperação da lavoura cacaueira no sul da Bahia feito por um grupo de empresários. Eles começaram a ter um bom retorno vendendo sua produção para a Europa, onde ela se transforma em matéria-prima de sofisticadas grifes de chocolate. São as novas facetas da produção de um setor da economia que — ao se modernizar — assume uma condição de protagonismo no país e no mundo.

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