Apresentação
35 anos de um Brasil que ajudamos a construir
Por Cláudia Vassallo
EXAME O ano era 1974. O Brasil vivia o auge do que o mundo desenvolvido chamaria de “milagre econômico”. Em meio às turbulências de um regime autoritário, o país visivelmente começava a ultrapassar os limites de uma economia eminentemente agrária para ingressar na era industrial. Foi naquele longínquo 1974, no nascimento do que conhecemos hoje como Brasil corporativo, que a Editora Abril decidiu lançar MELHORES E MAIORES, que se tornaria o maior e mais respeitado anuário do ambiente de negócios. Analisar os milhares de dados compilados ao longo desses últimos 35 anos é passear pela história do capitalismo brasileiro. Por trás dos números, estão as glórias e os dramas, as oportunidades e os desafios de empreendedores, executivos e trabalhadores que compõem a alma das companhias que deram e dão forma às listas das maiores e melhores.
Esta 35ª edição do anuário é uma oportunidade para celebrar a grande aventura dos negócios que se esconde por trás de cifras e balanços, analisados com enorme competência e total isenção pela equipe de professores e técnicos da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras da Universidade de São Paulo. A livre iniciativa é um dos pilares da sociedade democrática que escolhemos construir no Brasil. E foi o espírito empreendedor, a essência do capitalismo, um dos grandes responsáveis pelos resultados colhidos em 2007 e publicados aqui. As 500 maiores empresas brasileiras atingiram um faturamento total recorde de 970 bilhões de dólares. Lucros, empregos, exportações, riqueza gerada seguiram trajetórias igualmente ascendentes. A internacionalização dos negócios foi acelerada com operações consideradas improváveis ou impossíveis poucos anos atrás. Quem poderia imaginar que empresas brasileiras poderiam comprar ícones do capitalismo internacional? É o que vem acontecendo, numa espécie de segundo “milagre”, desta vez impulsionado pela iniciativa privada.
O retrato desse novo Brasil — resultado do trabalho e das pressões da sociedade — pode ser visto nas páginas deste anuário. Para transformar números em informação, o editor executivo Sérgio Ruiz Luz coordenou um grupo de 37 jornalistas, fotógrafos e designers que, nas últimas semanas, se dedicaram integralmente a dar forma aos dados. Esta edição de MELHORES E MAIORES não é apenas extraordinária riqueza de números. É também um festival de imagens belas e impressionantes, manifestação do trabalho do editor de fotografia Germano Lüderse do editor de arte Ricardo Godeguez.
O Brasil do presente, representado aqui pelos números e imagens de suas companhias, é mais forte, maduro e poderoso que o Brasil de 1973, ano cujas informações serviram de base para o lançamento da primeira edição de MELHORES E MAIORES. Ao longo dos últimos 35 anos, as empresas e a sociedade brasileiras viveram desafios enormes. Alguns deles permanecem. A perenidade e o crescimento deste anuário são as provas de que é possível superá-los.